Data: julio 13, 2017 | 12:16
O ROCK QUE NASCEU DUMA MULHER QUE CANTAVA SAMBA | Brasil é o único país do mundo que celebra o Dia Mundial do Rock cumprindo um desejo de Phil Collins durante o megaconcerto contra a fome na Etiópia, o 13 de julho de 1985. Vale a ocasião pra lembrar as glorias imortais do Rock Nacional nesta culta república...

LONGA VIDA AO GLORIOSO ROCK BRASILEIRO

Coberta de “O Descobrimento do Brasil”, o sexto álbum de Legião Urbana, a maior banda brasileira de rock, lançado em 1993. O álbum é marcado pela angústia e ao mesmo tempo otimismo de Renato Russo para livrar-se da dependência química e com os avanços no tratamento contra o HIV. | Foto Archivo Sol de Pando

© Wilson García Mérida | Redação Sol de Pando em Brasília

A banda britânica Queen com seu legendário vocalista Freddie Mercury, no recital durante o megaconcerto Live Aid do 13 de julho de 1985. | Foto Archivo Sol de Pando

O dia 13 de julho é conhecido no Brasil como Dia Mundial do Rock. A data foi escolhida em homenagem ao Live Aid, um show que aconteceu nesse dia, em 1985, simultâneo em Londres e Filadélfia. O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia. O evento chamou a atenção por contar com a presença de muitos artistas famosos na época. Entre os participantes estavam The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath.

A celebração é uma referência a um desejo expressado por o músico inglês Phil Collins, participante do evento, que gostaria que aquele fosse considerado o “dia mundial do rock”.

Apesar de se chamar “Dia Mundial do Rock”, a data só é comemorada no Brasil. Ela começou a ser celebrada em meados dos anos 1990. “O que aconteceu realmente foi que ninguém lá fora levou a sério a ideia de Phil Collins ao decretar dia 13 de julho o Dia Mundial do Rock” —escreveu o na sua coluna de Yahoo o famoso  roqueiro e radialista recentemente falecido Kid Vinil—. “Impressionados com o megaevento, duas rádios paulistanas que se intitulavam roqueiras (89 FM e 97FM) resolveram levar em frente o desejo de Phil Collins e anualmente passaram a comemorar a data, que acabou se tornando o Dia Brasileiro do Rock”.

A celebração foi amplamente aceita pelos ouvintes e, em poucos anos, passou a ser popular em tudo o país. Entretanto, essa data é completamente ignorada em tudo o resto do mundo.

Os questionamentos ao fraco rigor histórico da data

Por ser uma data definida arbitrariamente e sem respaldo em outros países, especialistas em música questionam essa escolha. Pra a jornalista Xanda Lemos, esta celebração “é uma farsa”.  O dia mundial do rock é “como as mundialmente famosas asas de búfalo dos restaurantes norte americanos”, criticou ela.
O jornalista Thales de Menezes escreveu na Folha de São Paulo, o 13 de julho de 2014, uma lista com as seguintes dez datas alternativas que poderiam representar o Dia Mundial do Rock:
I. Um dia incerto em abril de 1951, quando o DJ Alan Freed disse pela primeira vez, numa rádio de Ohio (EUA), a expressão “rock and roll”, que significava “ir dançar e depois transar”, comum em canções de artistas negros.
II. 9 de fevereiro (1964), quando os Beatles se apresentaram pela primeira vez na TV americana.
III. 5 de abril (1994), dia do suicídio der Kurt Cobain, guitarrista e cantor do Nirvana, banda alternativa que se tornou a maior do mundo nos anos 1990.
IV. 20 de abril (1983), quando Ahmet Ertegun, fundador do selo Atlantic, criou o Rock and Roll Hall of Fame, para homenagear os destaques do gênero.
V. 5 de julho (1954), quando Elvis Presley criou sua versão acelerada do blues “That’s All Right, Mama“.
VII. 12 de julho (1962), data do primeiro show dos Rolling Stones em Londres, no Marquee Club.
VII. 25 de julho (1965), o dia em que Bob Dylan se apresentou tocando guitarra elétrica no Newport Folk Festival, chocando os puristas do gênero folk.
VIII. 26 de novembro (1976), dia em que os Sex Pistols lançaram o primeiro compacto punk, “Anarchy in the U.K.”, que revitalizou o gênero.
IX. 8 de dezembro (1980), quando John Lennon foi morto a tiros por Mark Chapman em Nova York.
X. 29 de dezembro (1974), o dia em que a separação dos Beatles foi oficializada na Justiça britânica.
Mas havendo ficado o 13 de julho como o dia no qual Brasil faz uma celebração nacional ao rock mundial —se confirmando a qualidade universalista da cultura brasileira—, pois falemos hoje das lendas roqueiras deste grande país nas cujas generosas entranhas nos acolhemos no nosso desterro.

O rock brasileiro nasceu duma mulher que cantava samba

A cantora de samba Nora Ney gravou a considerada primeira peça de rock feita no Brasil, “Rock Around the Clock” de Bill Haley & His Comets, em outubro de 1955, ainda com a letra em inglês. | Foto Archivo Sol de Pando

O rock brasileiro (mais conhecido no Brasil como Rock Nacional) teve início no final da década de 1950, conquistando maior popularidade na década de 1980.

O “pontapé inicial” do rock no Brasil foi Nora Ney (conhecida cantora de samba-canção) quando gravou o considerado primeiro rock, “Rock Around the Clock”, de Bill Haley & His Comets (trilha dos filme Sementes da Violência), em outubro de 1955, para a versão brasileira do filme. Embora cantada em inglês, a aventura solitária de Nora pelo rock ‘n’ roll traz um sotaque tupiniquim: as brejeiras linhas de acordeon do Sexteto Continental (o instrumento era uma febre no Brasil exatamente naquela época). Ícone da chamada “velha guarda”, que ainda naquela década cederia seu espaço para a Bossa Nova, Nora Ney é geralmente lembrada por sua carreira no samba-canção, e quase nunca pelo seu “feito” no rock. E no selo deste primeiro 78rpm de rock ‘n’ roll no País —que ironia— está escrito: “Ronda das Horas (Rock Around the Clock) fox do filme da MGM”.

Dois meses após do sucesso de Nora, em dezembro, a mesma canção recebia versão em português, também gravada pela Odeon: “Ronda das Horas”, interpretada por outra mulher, Heleninha Ferreira, com backing vocals dos Titulares do Ritmo, na cuja orquestra também havia acordeon.  A versão de Heleninha fui a primeira peça de rock cantada em português. A canção mesma também foi gravada pelo acordeonista Frontera, mas ambas não tão bem sucedidas quanto a “original” em inglês de Nora Ney.

Em 1957 foi gravado o primeiro rock original composto em português, “Rock and Roll em Copacabana”, escrito por Miguel Gustavo (futuro autor de “Pra Frente Brasil”) e gravada por Cauby Peixoto, o cantor foi acompanhado pelo grupo The Snakes na canção “That’s Rock”, composta por Carlos Imperial no filme “Minha Sogra é da Policia” (1958).

HELENINHA SILVEIRA | Ronda das horas (Rock around the clock). O primeiro rock cantado em português brasileiro  | 1955

Os 60: de Roberto Carlos a Caetano Veloso e Gilberto Gil

Nos anos 60, Tim Maia, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Jorge Ben foram influenciados pelo rock and roll e rockabilly. Tim, Roberto, Arlênio Silva, Edson Trindade e Wellington integraram o grupo vocal The Sputniks. Tanto Tim quanto Jorge eram conhecidos como “Babulina”, por conta da pronuncia inusitada de “Bop-A-Lena”, interpretado por Ronnie Self. Ambos também foram influenciados por Little Richard, cujo estilo era fortemente influenciado pelo boogie woogie.

Roberto Carlos se tornaria o maior ídolo do Rock Brasileiro dos anos 60 e, posteriormente, o maior nome da música brasileira. Em 1964, obteve mais sucessos como “É Proibido Fumar” (mais tarde regravada pelo Skank) e O Calhambeque Aproveitando o sucesso, a Rede Record lançou o programa Jovem Guarda, apresentado por Roberto (“Rei”), seu amigo Erasmo Carlos (“Tremendão”) e Wanderléa (“Ternurinha”). Só nas primeiras semanas, atingira 90% da audiência.

Em 1966, surgiram Os Mutantes: Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, com seu deboche e som inovador, o grupo foi revelado no programa de Ronnie Von, que também teve uma fase psicodélica, contudo, o trabalho teve pouco impacto no mercado. Artistas do iê-iê-iê, como Erasmo Carlos e Eduardo Araújo, também experimentariam a psicodelia nos anos seguintes. No mesmo ano, o cantor Serguei fez sua estreia em compactos.

Em 1967, a dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil faria as canções “Alegria, Alegria” e “Domingo no Parque”, apresentadas no III Festival da Rede Record. No ano seguinte, o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band fascinou a dupla, levando a apresentações vaiadas em festivais de Record e Excelsior, e ao álbum coletivo Tropicália ou Panis et Circensis, com Mutantes, Gal Costa, Tom Zé, Torquato Neto, Capinan, Rogério Duprat e Nara Leão, considerado um dos melhores álbuns brasileiros da história.

Além de Os Mutantes, outras bandas de apoio acompanharam os tropicalistas, tais Beat Boys e Os Baobás, que acompanharam Caetano Veloso e Os Brazões, que acompanharam Gal Costa. Os Mutantes também criariam carreira grandiosa, com álbuns elogiados a partir de 1968 e chegando a ser descoberta até por Kurt Cobain, do Nirvana. O grupo começaria a se desmanchar com a saída de Rita Lee, em 1973.

ROBERTO CARLOS | O Calhambeque | 1966

OS MUTANTES | RITA LEE NA VOZ | Bat Macumba | 1969

Os setenta, tempos de resistência á ditadura militar

Raúl Seixas, figura icônica do rock brasileiro na década dos anos setenta. | Foto Archivo Sol de Pando

O endurecimento do Regime militar levou Caetano e Gil ao exílio em Londres, onde viveram de 1969 a 1972. Durante o período, gravaram dois discos considerados dos seus melhores: Transa (Caetano) e Expresso 2222 (Gil).

Em 1973, surgiram os Secos & Molhados, liderados por João Ricardo, com Ney Matogrosso como vocalista. A banda fazia a chamada “poesia musicada”, gravando canções elaboradas como “Rosa de Hiroshima” e “Prece Cósmica”, bem como canções menos poéticas e mais divertidas como “O Vira”. Dois álbuns e um ano depois, em 1974, o grupo com sua formação clássica (João, Ney e Gerson Conrad) se desfez.

Também em 1973, Raul Seixas inicia uma carreira solo, chegando a vender 600.000 compactos de “Ouro de Tolo” em poucos dias. Seixas se tornaria “o bardo dos hippies” com músicas debochadas como “Mosca na Sopa” e “Maluco Beleza”, esotéricas como “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás” e “Gita”, e motivacionais como “Metamorfose Ambulante” (composta pelo músico aos 14 anos) e “Tente Outra Vez”.

Movimentos surgiram em outros locais do Brasil: em Minas Gerais, o Clube da Esquina, com influências de Beatles e do rock britânico da época, era liderado por Milton Nascimento e Lô Borges, tendo Beto Guedes com um de seus membros. No Nordeste, havia a “nova onda” dos Novos Baianos e a chamada “Invasão Nordestina”, formada por artistas que misturaram a música do nordeste brasileiro ao rock, como Fagner, Zé Ramalho, Belchior e Alceu Valença.

RAUL SEIXAS | Gita | 1976

SECOS E MOLHADOS | NEY MATOGROSSO NA VOZ | ¿Alguem se Lembra? | 1973

Os fundacionais anos 80 com sua onda longa até hoje

O radialista Kid Vinil, vocalista do grupo Magazine, um dos principais promotores e protagonistas do rock e punk na década dos oitenta em São Paulo. Ele morreo aos 62 anos o passado 17 de maio. | Foto Archivo Sol de Pando

Atribui-se a esta década a popularização e a verdadeira “explosão” do rock no Brasil, a princípio com o surgimentos de banda independentes divulgadas em fanzines.  Algumas bandas como Titãs e Os Paralamas do Sucesso permanecem ativas até hoje, fazendo apresentações por todo o país. Outros grupos e artistas da época, como Engenheiros do Hawaii e Legião Urbana, foram imortalizados e tocam nas rádios até hoje, devido ao grande sucesso entre o público, principalmente adolescentes e jovens.

Em Brasília, o Aborto Elétrico (em que Renato Russo tocara) gerou a Legião Urbana e o Capital Inicial (que acabou se fixando em São Paulo). Outros destaques vindos da capital brasileira são a Plebe Rude com os sucessos Até Quando Esperar e Proteção e grupos que tornaram-se cult, como Finis Africae e Detrito Federal.

No Rio Grande do Sul, os Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós chegaram ao sucesso nacional.

Em Minas Gerais, surge o grupo brasileiro de maior sucesso internacional, o Sepultura, que toca o subgênero thrash metal, com letras em inglês. Também em Minas, é formado o Sexo Explícito, banda alternativa com a sonoridade voltada para o pós-punk, tornando-se “embrião” do Pato Fu.

Em São Paulo, além dos Titãs, surgiram as principais bandas paulistas, Ultraje a Rigor, RPM e Ira!. Outro acontecimento importante foi a chamada Vanguarda Paulista, liderada por Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Houve também o movimento Punk paulistano, auxiliados pelo então radialista Kid Vinil, formado pelas bandas Magazine Inocentes, Cólera, Ratos de Porão, Olho Seco, Lixomania e culminando no festival O Começo do Fim do Mundo, realizado no SESC Pompeia em 1982.

As bandas mais cultuadas da década dos oitenta formam um “quarteto sagrado”, os principais clássicos do rock brasileiro de todos os tempos. Eles são:

  1. Legião Urbana, a banda mais influente dentre todas no Brasil, liderada por Renato Russo e emplacando inúmeros sucessos que chegaram a ter grande impacto dentro e fora do país.
LEGIÃO URBANA | RENATO RUSSO NA VOZ | Tempo Perdido | 1988

  1. Os cariocas do Barão Vermelho, surgidos em 1982 e liderados por Cazuza e Roberto Frejat.
 BARÃO VERMELHO | CAZUZA NA VOZ | Bete Balanço | 1985

  1. Os paulistanos dos Titãs, inicialmente formado por nove integrantes e influenciados pela new wave e pela Música Popular Brasileira (MPB).
TITÃS | Estado Violência | 1986

  1. Os Paralamas do Sucesso, originários do Rio de Janeiro, haviam se conhecido antes em Brasília e começaram a tocar na garagem de um dos integrantes.
PARALAMAS DO SUCESSO | Alagados | 1986

Uma lista tentativa das 13 maiores bandas do rock Brasileiro

O jornalista Diego Martins Salomão faz parte da seguinte relação dos grupos mais emblemáticos da cena roqueira do Brasil, sem lembrar que “o rock brasileiro tem inúmeras facetas, e é impossível listar todos os seus grandes nomes sem cometer alguma injustiça. Por isso, a lista a seguir só foi até o número dez, para falar das mais relevantes bandas que já surgiram por aqui”, aclarou Diego. Nos, no Sol de Pando, agregamos três mais (Capital Inicial, Ira! e Ultraje a Rigor).

LEGIÃO URBANA | RENATO RUSSO NA VOZ | Que País é Esse | 1987

1.- Legião Urbana

Em 2014, completam-se 18 anos da morte de Renato Russo… E a Legião Urbana ainda é um dos nomes mais rentáveis da EMI Odeon. Afora isso, suas músicas ainda são hinos tocados e cantados em qualquer canto do país. Porque são fáceis, dizem os críticos. Dane-se! O fato é que o sucesso estrondoso do grupo e a relação messiânica que os fãs ainda têm por Renato é algo digno da maior banda de rock do Brasil. Muito maior que suas limitações técnicas.

TITÃS | Marvin | 1988

2.-Titãs

Nunca, em tempo algum, o Brasil viu uma banda tão diferente e tão versátil. O fato de serem oito integrantes —sendo cinco cantores— era algo quase irrelevante perto da heterogeneidade de seu repertório: pop, brega, new wave, punk, música eletrônica, hard rock, heavy metal, acústico… Os Titãs fizeram de tudo e muito mais; afinal, por onde se olha, você vê um disco ou música produzida, composta ou arranjada por uma dessas oito cabeças geniais!

RITA LEE (EX VOZ DE OS MUTANTES) | Lança-Perfume | 2007

3.- Os Mutantes

Corriam os anos 60, quase entrando nos 70, e o Brasil ainda parecia estagnado na Jovem Guarda, até surgirem os Mutantes. Talvez, a primeira das grandes bandas de rock tupiniquins, que ensinou ao nosso país os efeitos da distorção, as sonoridades dos anos 70 e —por que não dizer?— os efeitos das drogas nos primórdios do rock progressivo. Ah, isso sem falar em Rita Lee; a Rainha do Rock Brasileiro, que começava ali sua trajetória.

SEPULTURA | Phantom Self | 2016

4.-Sepultura

Futebol, samba, mulheres, praias… E Sepultura! Sim, os metaleiros mineiros são até hoje a banda brasileira mais famosa no exterior. Ao longo de 20 anos de carreira, cantando em inglês, eles levaram a bandeira verde e amarela aos quatro cantos do mundo, dando uma nova e inédita face ao nosso rock’n roll. Não precisavam de mais nada para ocupar o quarto lugar.

OS PARALAMAS DO SUCESSO (COM CARLINHOS BROWN) | Uma Brasileira | 2010

5.- Os Paralamas do Sucesso

O Clash fez. O Police fez. Mas foram os Paralamas que melhor resolveram o eterno namoro entre o rock e o reggae. O grupo que começou adolescentemente reclamando que “não pegava ninguém” acabou se tornando quase uma unanimidade, com seus teclados e metais tão bem encaixados ao peso do bom e velho “baixo guitarra e bateria”. Tecnicamente, são provavelmente a melhor banda desta lista.

BARÃO VERMELHO | FREJAT NA VOZ | ¿Por qué a gente é assim? | 2010

6.- Barão Vermelho

Tem gente que torce o nariz. Dizem que a carreira-solo do Cazuza é muito melhor, que eles nunca teriam sido nada se não tivessem um vocalista filho do presidente da Som Livre… Conversa fiada. Uma banda de rock com blues nas veias, ou uma banda de blues mais roqueira que as demais, gerou uma das parcerias mais produtivas da nossa música: Cazuza/Frejat.

RPM | Alvorada Voraz | 1987

7.- Revoluções por Minuto ou RPM

Talvez a coisa mais próxima que o Brasil tenha tido de uma “beatlemania”, o RPM foi revolucionário em vários aspectos. Em primeiro lugar, nunca uma banda brasileira teve tanto teclado e esteve tão próxima do rock progressivo. Em segundo lugar, eles jamais tiveram medo de ser comerciais, colocando, sem medo de ser feliz, um galã descamisado, como front man, sem deixar cair a qualidade do som. No fim, o grupo foi consumido pelas drogas e egos, mas suas vendagens absurdas e as legiões de fãs enlouquecidas não deixam o mito ruir.

NEY MATOGROSSO (EX VOZ DE SECOS E MOLHADOS) | Poema | 1999 

8.- Secos e Molhados

O disco de estreia. Os Secos e Molhados não precisaram de mais do que isso para virar mitos. Lendas dizem que suas pinturas de rostos inspiraram o Kiss. Não sei e sinceramente não acho que importe. Inovaram visualmente e musicalmente, com músicas que são, até hoje, verdadeiros hinos. Do riff contagiante de O Vira à letra genial de O Patrão Nosso de cada dia, tudo ali marcou época. Especialmente a fantástica voz de Ney Matogrosso.

RATOS DE PORÃO | Crise Geral | 2011

9.- Ratos de Porão

João Gordo diz que não é mais punk, e seus fãs o cobram por isso. Mas como esquecer das origens dessa banda, que surgiu em meio ao movimento proletário de São Paulo e conquistou o mundo? Como esquecer que eles foram a primeira grande punk do Brasil? Pois, se aqui, hoje em dia, seus shows não atraem mais de mil e poucas pessoas, lá fora os Ratos ainda são cultuados como referências do hardcore. E disso ninguém deve se esquecer.

MAMONAS ASSASSINAS | Pelados Em Santos | 1995

10.- Mamonas Assassinas

Eles não foram os primeiros e certamente não serão os últimos a misturar música e humor. Mas possivelmente são os melhores. Não conseguiam fazer músicas sérias e começaram a fazer piadas, liderados por um dos grandes imitadores do Brasil. Seu único disco de estúdio é, até hoje, um marco, com as melhores referências que se possa imaginar, trabalhadas por uma banda incrivelmente competente. A tragédia que lhes tirou a vida, às vezes influi em seu valor, mas como ouvir seu disco de estreia e não – no mínimo – respeitá-los?  Todos eles morreram num  acidente de avião no dia 2 de março de 1996.

CAPITAL INICIAL |  À Sua Maneira (De Música Ligera, Cerati) com Seu Jorge | 2016

11.- Capital Inicial    

Formada em Brasília, Distrito Federal, no ano de 1982. Capital Inicial. Surgiu depois que o grupo Aborto Elétrico encerrou as atividades, dando início também à banda Legião Urbana. Nos últimos anos vem sofrendo grandes modificações em seu estilo, tendo como maior influência o rock inglês.

IRA! | Dias de Luta | 2009

12.- Ira!

A banda formada em 1984 baseada sob ex componentes da banda Subúrbio (Edgard Scandurra, Dino Nascimento e Marcos Valadão Rodolfo, de apelido Nasi). Embora muitos acreditem que o nome “Ira” fosse inspirado no Exército Republicano Irlandês, ele nada mais do que remete ao sentimento de ira. Como houve muitos enganos sobre o nome, foi incrementado um ponto de exclamação na tentativa de acabar com outras interpretações, alterando, assim, para “Ira!”.

ULTRAJE A RIGOR | Nós vamos invador sua praia | 1985

13.- Ultraje a Rigor

Criada no início da década de 1980 em São Paulo. Idealizada por Roger Moreira (voz e guitarra base), obteve sucesso em 1983 no Brasil, devido as canções “Inútil” e “Mim Quer Tocar”. Em 1985 a banda ficou nacionalmente conhecida pelo álbum Nós Vamos Invadir sua Praia que trouxe o primeiro disco de ouro e platina para o rock nacional. O mesmo álbum, mais tarde, acabou sendo consagrado como o “melhor álbum de rock nacional” pela Revista MTV, em dezembro de 2008.

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