Data: junio 13, 2013 | 22:56
Às movimentações ocorrem também em outras capitais do país como Porto Alegre e Rio de Janeiro...

Feridos y detidos em São Paulo durante manifestação contra aumento da passagem

Polícia atira contra ativistas durante manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo. | Foto Folha de São Paulo

Polícia atira contra ativistas durante manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo. | Foto Folha de São Paulo

Antes mesmo do início da manifestação marcada para esta quinta-feira contra o aumento da passagem do transporte público em São Paulo, cerca de 40 pessoas foram detidas pela Polícia Militar, na concentração do protesto, em frente ao Teatro Municipal, no centro de São Paulo. Grupo saiu em passeata por volta das 18h20, e devem finalizar o protesto na praça Roosevelt…

© Redação Sol de Pando Manifestantes do protesto contra o aumento das tarifas em São Paulo chegam à avenida Paulista, uma das mais importantes da cidade, na noite desta quinta-feira. A Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) fecha os dois lados da via para evitar a passagem da passeata, informó Folha de São Paulo

A rua Augusta, um dos acessos à avenida, foi bloqueada pelos policiais. A efervescência noturna da via foi trocada por bombas de gás e efeito moral. A avenida Angélica também estava bloqueada e havia barricadas de fogo formadas por manifestantes em vários pontos.

Mesmo com a interdição, boa parte dos manifestantes conseguiu chegar à avenida Paulista. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), eles sobem até a via pelas ruas da Consolação, Augusta, Bela Cintra e pela avenida Angélica.

A badalada rua virou um campo de guerra, com forte repressão policial. A PM trabalha com o intuito de impedir aglomerações. Quando um grupo de cerca de 15 a 20 pessoas se forma, a tropa atira bombas para que sejam dispersados.

Em nota, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, disse que lamenta os episódios e determinou a «abertura imediata de investigações, pela Corregedoria da PM, para apurar rigorosamente os fatos».

Nenhum comerciante se arriscou a manter a loja aberta durante o protesto de hoje. Todas as portas da rua foram fechadas, desde lanchonetes a casas noturnas.

Alguns motoristas que ficaram parados na rua Caio Prado, na região central, por conta do confronto entre manifestantes e policiais militares, decidiram trancar e abandonar os carros na via. Com o trânsito interrompido, eles fugiram a pé da confusão que bloqueia parte da rua da Consolação.

Segundo Isto É, pai de um jovem detido pela Polícia Militar, João Batista, dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), criticou a falta de informações do policiamento. «Aqui virou uma praça de guerra para prender jovens. Essa é a primeira manifestação que ele (seu filho) participa. Ele nunca foi preso», disse, bastante nervoso.

Segundo um dos organizadores da manifestação, Lucas Monteiro, a PM «montou uma operação de guerra». «Querem criminalizar a manifestação», protestou.

Repórteres atingidos

Giuliana Vallone, repórter da Folha, que foi atingida por um disparo de bala de borracha da tropa de choque da polícia militar | Foto Diego Zanchetta /Folha de São Paulo

Giuliana Vallone, repórter da Folha, que foi atingida por um disparo de bala de borracha da tropa de choque da polícia militar | Foto Diego Zanchetta /Folha de São Paulo

Os repórteres da Folha Giuliana Vallone e Fábio Braga foram atingidos no rosto por disparos de bala de borracha da Tropa de Choque da Polícia Militar enquanto cobriam o protesto contra o aumento das passagens no centro de São Paulo. Por volta das 20h, Giuliana subia a rua Augusta registrando o protesto quando foi atingida.

A cabeleireira Valdenice de Brito, 40, testemunhou o momento do disparo. «Quando ela me disse para sair dali por causa do tumulto, um policial mirou e atirou covardemente nela.»

Giuliana foi socorrida por funcionários de um estacionamento. Outros cinco jornalistas da Folha também foram atingidos. Um deles, o repórter-fotográfico Fábio Braga foi atingido por dois disparos. Um atingiu o rosto e o outro a virilha.

Segundo Isto É, o fotógrafo do portal Terra Fernando Borges foi uma das pessoas detidas para averiguação da PM. Ele portava crachá de imprensa, equipamento fotográfico de trabalho e se apresentou como jornalista, mas foi levado pelos policiais. Ele passou 40 minutos detido junto com manifestantes, de frente para a parede, com as mãos nas costas e a cabeça baixa, mas já foi liberado.

Os policiais revistaram os pertences e documentos dos detidos, e só liberaram o fotógrafo alegando que ele «não portava vinagre», que é usado como «antídoto caseiro” contra os efeitos da bomba de gás lacrimogêneo.

O repórter Piero Locatelli, da revista CartaCapital também foi detido. Segundo a publicação, ele foi preso enquanto fazia a cobertura das manifestações.

O repórter do jornal Metro, Henrique Beirange, foi atingido por um jato de spray de pimenta, enquanto cobria a manifestação. «Jogaram spray de pimenta de forma aleatoria contra os jornalistas. Isso é um absurdo. A gente está aqui trabalhando», protestou, informou Isto É.

Quarto protesto na semana

Segundo Folha, Esse é o quarto protesto contra as passagens de ônibus, na última semana. As pessoas começaram a se concentrar por volta das 16h, quando já havia grande quantidade de policiais, inclusive fechando o viaduto do Chá, onde fica a Prefeitura de São Paulo, e revistando e interrogando pessoas.

O confronto começou quando a PM tentou impedir os cerca de 5.000 manifestantes de prosseguir a passeata contra o aumento dos ônibus pela rua da Consolação, no sentido da avenida Paulista. Com isso, houve bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha disparados contra os manifestantes, que atiravam pedras e outros objetos.

Algumas bombas atiradas pelos policiais foram parar em um posto de gasolina, no cruzamento com a rua Caio Prado. Já a fumaça das bombas formou uma névoa que fez «desaparecer» os carros que ficaram parados na região.

Alckmin nega redução na tarifa

O prefeito Fernando Haddad (PT).

O prefeito Fernando Haddad (PT).

Na quarta-feira (12), o Ministério Público de São Paulo reuniu-se com manifestantes do MPL (Movimento Passe Livre) –organizador dos protestos contra o aumento da tarifa do transporte público– e se comprometeu a marcar uma reunião com Alckmin e com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), para negociar uma suspensão, por 45 dias, do valor da nova tarifa de R$ 3,20. Antes do aumento, a tarifa de ônibus, metrô e trens custava R$ 3.

Nesta quinta-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que não cogita abaixar o preço da tarifa dos transportes públicos em São Paulo mesmo após os protestos organizados na capital paulista desde a última quinta-feira.  De acordo com o tucano, as manifestações são organizadas por um «movimento político pequeno, mas muito violento”. As declarações foram dadas durante um dos eventos dos quais o governador paulista participa em Santos, no litoral do Estado, nesta quinta-feira, depois que retornou de viagem da França.

«O reajuste foi menor que a inflação. Tanto o ônibus da Prefeitura de São Paulo, quanto o metrô, quanto o trem», disse o tucano. «O objetivo é que os ganhos de eficiência e produtividade fossem transferidos ao usuário do sistema», completou Alckmin.

O prefeito Fernando Haddad (PT) também disse que não reduzirá a tarifa de ônibus. Ele reafirmou que o aumento de R$ 3 para R$ 3,20 ficou abaixo da inflação e que cumpriu compromisso de sua campanha.

Às movimentações ocorrem também em outras capitais do país como Porto Alegre e Rio.

Em Porto Alegre

Manifestantes fazem protesto contra o aumento das passagens de ônibus em Porto Alegre nesta quinta-feira (13).

Centenas de pessoas, na maioria jovens, se concentraram em frente à prefeitura por volta das 18h e, em seguida, saíram em marcha pelas ruas do centro, que estão totalmente bloqueadas.

Segundo os manifestantes, o movimento não tem uma liderança única. Estudantes, universitários, sindicalistas e membros de partidos de esquerda compõem o grupo.

Com um carro de som, os manifestantes fazem menção às movimentações que ocorrem em outras capitais do país, como São Paulo e Rio.

Dezenas de policiais acompanham o protesto, incluindo a cavalaria da Brigada Militar.

Por volta das 19h40, um grupo atirava pedras na vidraça de um prédio comercial. Há também vidros de ônibus e muros pichados.

Uma agência do Banrisul teve os vidros quebrados por pessoas mascaradas. Alguns manifestantes vaiaram os colegas que causaram a depredação.

A passagem em Porto Alegre, que custava R$ 2,85, subiu para R$ 3,05 neste ano. Após uma série de protestos violentos em março, a Justiça concedeu uma liminar que fez o preço voltar a R$ 2,85.

Por se tratar de liminar, a decisão pode ser revogada a qualquer momento –o que motivou o protesto.

Em Rio de Janeiro

Gritando slogans como «da Copa eu abro mão/dinheiro para saúde e educação» e com alguns deles carregando flores nas mãos, manifestantes contra o reajuste das passagens de ônibus começaram uma caminhada rumo à Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, por volta das 18h15.

O movimento, no entanto, se tornou mais violento em seu final, quando um grupo começou a pichar as colunas do prédio da Assembleia. Fogos de artifício foram jogados contra o prédio. A PM acompanhava à distância, sem intervir.

A manifestação começou de forma pacífica. Cerca de 2.000 pessoas, de acordo com os organizadores, se reuniram na praça da Candelária, no centro, para de lá seguir para a Cinelândia. Quando a caminhada começou, o trânsito em todas as pistas da avenida Presidente Vargas foi interrompido. De prédios da avenida Rio Branco, por onde passa a manifestação, pessoas acenam e jogam papel picado.

Pouco após as 18h, o Metrô Rio fechou parte dos acessos às saídas de passageiros nas estações Carioca e Cinelândia, no centro, por questões de segurança. Na Cinelândia, ponto final da manifestação, apenas o acesso em frente ao cinema Odeon permaneceu aberto.

A Polícia Militar não fez estimativas sobre o número de manifestantes. Cerca de 200 policiais acompanham o grupo. O mesmo local foi palco de confrontos entre manifestantes e policiais militares na última segunda-feira (10). Além de estudantes, participam do ato nesta quinta-feira (13) militantes de partidos políticos e de organizações de direitos humanos. Os manifestantes protestam com o auxílio de três carros de som cedidos por sindicatos.

O mais recente aumento da passagem de ônibus no município do Rio (de R$ 2,75 para R$ 2,95) está em vigor desde 1º de junho. A prefeitura sustenta que o reajuste respeita os contratos assinados com as empresas de ônibus.

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