Data: septiembre 7, 2012 | 19:37
Senador Roger Pinto completa cem dias de refúgio

Embaixada do Brasil em La Paz adapta espaço para senador boliviano

Senador Roger Pinto Molina.

 Em uma das principais avenidas da capital boliviana, o senador direitista Roger Pinto Molina, 52, vive recluso em uma sala de 20 m2, que serve de moradia e escritório.

© Felipe Luchete Enviado Especial a La Paz |Fhola de S.Paulo

Nesta semana, o líder da oposição ao presidente Evo Morales no Senado completa cem dias de refúgio na embaixada brasileira em La Paz.

Sua chegada, em 28 de maio, surpreendeu o governo brasileiro. Acompanhado de duas senadoras e um deputado, Pinto pediu, naquela segunda-feira, uma reunião de última hora com o embaixador Marcel Biato.

No encontro, ele entregou a solicitação de asilo político a Biato e uma carta endereçada à presidente Dilma Rousseff. Pinto alega ser alvo de perseguição política desde que denunciou o envolvimento de autoridades bolivianas com o narcotráfico.

O Brasil confirmou o asilo 11 dias depois, mas a Bolívia desde então nega o salvo-conduto para que ele possa deixar a embaixada e embarcar rumo ao Brasil.InfografiaFolha

Rotina

Enquanto dura o impasse, Pinto vive em um espaço adaptado para ele no primeiro andar da embaixada, nos fundos, longe da movimentação de funcionários.

Para chegar à sala, é preciso atravessar uma porta fechada a senha, identificar-se com fuzileiros navais e percorrer um corredor.

A embaixada não autorizou a entrada da Folha na sala, sob a justificativa de que isso prejudicaria a situação do senador.

Até meados de agosto, Pinto ocupava dois cômodos separados, na parte da frente da embaixada, com vista para a avenida Arce, no centro de La Paz. Teve de ser transferido quando chegaram novos funcionários.

Ele recebe visitas de amigos e de uma filha todos os dias. Tem televisão, notebook, tablet, cama, frigobar e se exercita em uma bicicleta ergométrica, no corredor.

Evangélico, lê a Bíblia e os livros «Guia Politicamente Incorreto da América Latina» e «El Sueño del Libertador», sobre o ativista peruano Raúl Haya de la Torre, que ficou cinco anos na embaixada da Colômbia (1949-54) em Lima.
Eles deixaram Cobija, cidade do departamento (Estado) de Pando, logo depois de Pinto ir para a embaixada. Pessoas próximas dizem que os parentes sofreram ameaças e temeram ser usados como moeda de troca para a saída do senador da embaixada.Também conversa pela internet com a mulher, uma filha, dois netos e a sogra, que se mudaram para o Acre.

A filha mais nova, que vive em La Paz, disse que o pai já recebeu mensagens ameaçadoras descrevendo onde e com quem ela está.

Denise Pinto, 22, estudante de direito, vai e volta levando roupas e comida. A embaixada fornece as refeições, mas o senador, diz a filha, «adora» que ela leve «churrasco e farofa com bacon».

Denise diz que as acusações contra o pai são invenção do governo. Há processos por suspeita de desacato a autoridades, derrubada de uma árvore e assassinato -segundo a filha, a acusação não diz quem é o morto.

Ao menos três processos por desacato são consequência de denúncias do senador sobre o tráfico de drogas, diz o deputado federal Adrián Oliva, do mesmo partido.

Oliva diz que o presidente recebeu em 2010 documentos relatando supostos crimes envolvendo a cúpula do governo, mas só anunciou que iria investigá-los após o refúgio de Pinto ganhar destaque internacionalmente.

Para o deputado federal Luis Felipe Dorado, chefe da bancada da Convergência Nacional, o governo tem um discurso contraditório: embora não libere o salvo-conduto a Pinto, anunciou apoio ao Equador, que concedeu asilo político a Julian Assange.

O fundador do WikiLeaks está desde junho na embaixada do país em Londres.

Negativa

A Bolívia justifica a negativa ao salvo-conduto dizendo que o senador da Convergência Nacional (cuja bancada tem 47 das 167 cadeiras do Congresso) responde a mais de 20 processos judiciais.

A concessão de asilo foi criticada pelo próprio Evo Morales. Em julho passado, causaram mal-estar no Itamaraty declarações da ministra das Comunicações boliviana, Amanda Dávila, que acusou o embaixador brasileiro de fazer pressões pró-libertação.

A situação está empacada. A embaixada avalia que resta apenas aguardar um recuo do governo boliviano. Políticos da oposição ouvidos pela reportagem apostam que isso ocorrerá com ajuda de pressão internacional.

Dorado cobra posição mais firme do Brasil. «O país tem que fazer respeitar sua soberania.»

Folha tentou ouvir o governo boliviano, mas não teve resposta aos pedidos de entrevista.

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