Data: mayo 10, 2020 | 12:35
NA RAIZ DE TODAS AS LÍNGUAS | ¿Por qué mãe em português, “mamá” em espanhol, “maman” em francês, “mā” em chinês, “mama” em quéchua? ¿Pertence esta palavra a um idioma universal extinto ou é acaso o primeiro som bem entonado do ser humano...?

A ORIGEM DA PALAVRA MÃE

O exercicio da maternidade nos povos indígenas da Amazônia é uma prática comunitária. | Foto Archivo Sol de Pando

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Neste segundo domingo de maio, Brasil celebra o Dia das Mães, as quais dedico este ensaio em gratidão ao povo brasileiro por ter me brindar um segundo lar no meu desterro de minha amada pátria Bolívia, onde minha mãe ficou orando por mim…
© Wilson García Mérida | Redação Sol de Pando em Brasília © Primeria tradução ao português no meu exílio en Brasilia, 14 de maio, 2017 © Matéria originalmente publicada em espanhol o 27 de maio, 2015 | Tradução WGM
 

Uma jovem mãe acreana e sua criança recém nascida na Maternidade Bárbara Heliodora de Rio Branco. | Foto Agencia Notícias do Acre

Descobrimentos científicos muito recentes, como os difundidos pela Universidade de Reading, na Inglaterra, demonstram que a palavra “mãe” e seu sinónimo em espanhol “madre” tem praticamente a mesma raiz linguística em todos os idiomas do mundo e são pronunciadas nos cinco Continentes do planeta desde pelo menos 15.000 anos, segundo a pesquisa do biólogo evolutivo Mark Pagel. O equipe interdisciplinar dirigido por Pagel —incluindo antropólogos, arqueólogos e linguistas— afirma que as palavras “mãe” e “madre” formam parte dum conjunto de 23 vocábulos que sobreviveram á Era do Gelo, quando o planeta era um só Continente e possivelmente a humanidade toda falava um só idioma.

Os 23 vocábulos ancestrais, entre substantivos, verbos, adjetivos e advérbios que ainda conservam uma raiz comum universal (“fogo”, “eu”, “pai”, “crosta”, além “mãe” e “madre” entre outros), pertencem a uma categoria teórica de “protolínguas” indo-europeias e austronesias, reconstruídas hipoteticamente seguindo as pegadas genéticas e migratórias dos primeiros Homo Sapiens asiáticos e africanos que marcharam até o Continente Europeu durante as glaciações, as quais “foram mantidos como base dos quase 700 idiomas que hoje existem no mundo”. 

Todo homem precisa de uma mãe | Tom Veloso, seu pai e os seus irmãos | VIDEO

¿É um som humano natural e não uma simples palavra apenas?

Donha Pastora Mérida de García. | Foto Archivo Sol de Pando

¿O qué faz que a palavra “mãe” seja tão ancestral e universal, acaso mais antiga ainda que a mesma Torre de Babel e mais cósmica que a via láctea? ¿E tão vigente e eterna ao mesmo tempo? A resposta mais esclarecedora pra este enigma vem de una senhora matrona na Cochabamba, Bolívia. Minha mãe, dona Pastora Mérida de García, quem explica o seguinte guiada pela sua experiência de obstetriz (parteira) aposentada: “Mãe não é uma palavra, é uma onomatopeia primordial na vida do ser humano que se aferra a essa voz primaria depois de nascer. É uma expressão quase gutural que surge da boquinha dos bebés aproximadamente aos sete meses de vida se nutrindo do seio materno. Como todos nós sabemos, uma criança dada a luz nasce com o reflexo primário de mamar do peito de sua mãe. Para elo junta os lábios; o som que emite seu aparato fonador quando abre os lábios e expulsa o ar é una consonante bilabial: ’m’, e uma vocal aberta, anterior e redondeada: ‘a’. Então o bebé gera a sílaba ‘Ma’ que vai ser bi-silaba a forza de sua insistência para lactar. Dai que a palavra mãe no é só uma palavra, é um nexo inevitável com a vida”.

O maleficio da Torre de Babel

Numa célebre conferencia ditada em junho do 2011 no auditório da Rede TED (Technology, Entertainment and Design), o biólogo evolutivo explicou a dispersão idiomática do mundo com a metáfora bíblica da Torre de Babel, no Livro do Gênese: “De acordo com essa história —lembrou Mark Pagel— “os entes humanos primitivos foram tão presunçosos de pensar que, ao usar a linguajem para trabalhar em conjunto, poderiam eles construir uma torre que os levaria até o céu. Assim Deus, furioso por este intento de usurpar seu poder, destruiu a torre e, para garantir que nunca ela pudesse ser reconstruída, as pessoas foram espalhadas e confundiu-lhes dando-lhes diferentes idiomas…”.

Porém, Deus teria deixado sob escombros da Torre de Babel palavras genéticas como “mãe” e “madre”, as quais pudessem ser mantidas eternas nas vozes humanas em virtude á “cognação”, fruto de sua constante pronunciação. Os científicos descobriram neste século XXI que as palavras pronunciadas pelo menos 16 vezes ao dia por uma pessoa tinham maiores possibilidades de ser cognadas em, ao menos, três famílias linguísticas sem substanciais diferenças do vocábulo original, tal o caso da palavra “mãe”. Em troca, aquelas palavras menos pronunciadas tenderiam a desaparecer ou se mudar até se tornar ininteligível dum idioma a outro. 

Mapa universal da palavra “mãe”

Anteriormente, os linguistas basearam se exclusivamente no estúdio dos sons comuns entre palavras latinas ou helénicas para identificar aqueles que eram suscetível de ser derivados de palavras ancestrais comuns, tales como: em latim “pater”, em inglês “father”, em espanhol ”padre” ou em português “pai”.

Porém, a recorrência das palavras “mãe” e “madre” mias lá do latim ou grego, levou aos filólogos desenvolver a teoria da língua “proto indoeuropeia”, uma categoria essencialmente arqueológica que segue os rastros do fluxo migratório entre Ásia Meridional e Europa aproximadamente 6.000 anos atrás, o qual deu lugar idiomas como o sânscrito, o latim, o grego e o persa, entre os mais antigos.

O indoeuropeio é uma família linguística que inclui os seguintes ramos: 

Itálica (Latim): espanhol, galego, catalão, italiano, francês, português, romeno, húngaro.

Helénica: grego.

Germânica: inglês, alemão, holandês, sueco, dinamarquês.

Céltica: galés, Breton.

Eslava: russo, checo, polaco, sérvio-croata.

Báltica: lituano, indo-iraniano, hindu, urdu, persa, kurdo.

No todos estes idiomas a palavra “mãe” tem um elevado grau de cognação se mantendo quase inalterável:

Português: mãe

Espanhol: mamá.

Alemão: mutter.  

Aragonês: mai.

Breton: mamm.

Búlgaro: майка.

Checo: matka.

Eslovaco: matka.

Francês: maman.

Galego: mai (nai).

Inglês: mum, mom, mother.

Italiano: mamma.

Latim: mamma.

Romeno: mamă.

Russo: мáма.

Uma imagem célebre sob a vocação maternal duma indígena do povo amazônico na etnia Awá. | Foto Archivo Sol de Pando

Segundo esta linguística, a silaba “ma” inicial, comum todas as anteriores, bom poderia significar, por tanto, “madre”. Além, as formas madre, mater, mother, mutter, мать, etc., vem do proto-indoeuropeio sânscrito: “méhtēr”.

Mas, esse mapa linguístico da palavra “mãe” no acaba se na sua antiga raiz indoeuropea. Os conquistadores espanholes que chegaram ao Peru ficaram admirados ao escutar a palavra “mama” quando os filhos dos Incas dirigiam se a seus progenitoras, e que “Pacha Mama” era a deusa holística matriarcal do Imperio quechua assim como dos súbditos aimarás e as etnias amazônicas vizinhas.

Outro estúdio recente publicado pela Universidade de Warwick de Coventry, Reino Unido, no janeiro do 2013, vai mais atrás do proto linguagem indoeuropeio e remonta se as línguas austronesias, quase 20.000 anos atrás, e faz uma comparação de 627 línguas incluindo o polinésio, o taiwanês, o malaio, o havaiano, ainda incluso o rapa nui da Ilha de Páscoa, além do chinês.

Na China —cuja língua é tonal— a palavra mā, em primeiro tono, significa “mãe”; , em segundo tono, pode significar “sésamo”; mǎ, em terceiro tono significa “cavalo”;  em quarto tono significa “ralhar”; e ma, sem tono, é uma partícula interrogativa.

Um maio mundial

Em Roma, os imperadores consagraram um mês do calendário juliano, maio, dedicado á deusa Maia da fertilidade, num culto de adoração as madres que eram o centro da cotidianidade matriarcal do império.

O mundo cristão adotou a celebração latina sincretizando na imagem materna dos romanos a figura também ultra-maternal da Virgem Maria.

  • Em Espanha, Hungria, Lituânia, Portugal, África do Sul e Romênia celebra se o primeiro domingo de maio.
  • O segundo domingo de maio, todos os anos, é Dia das Mães em Brasil, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica (excepto Amberes), Chile, China, Canada, Colômbia (excepto Cúcuta), Croácia, Cuba, Dinamarca, Equador, Estados Unidos, Estónia, Filipinas, Finlândia, Grécia, Países Baixos, Honduras,  Itália, Japão, Letónia, Liechtenstein, Nova Zelândia, Peru, Porto Rico, República Checa, Suíça, Taiwan, Turquia, Ucrânia, Uruguai, e Venezuela.
  • O 8 de maio no Coreia (Norte e Sul)
  • O 10 de maio em El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Guatemala, Índia, Malásia, México, Omã, Paquistão, Qatar e Singapura.
  • O 14 de maio em Samoa.
  • O 15 de maio em Paraguai (data na qual além os paraguaios celebram o Dia de independência que é ao mesmo que o “Dia da Mãe Pátria”)
  • O 26 de maio em Polónia.
  • O 27 de maio em Bolívia (fazendo homenagem as Heroínas da Coroinha).
  • O 30 de maio em Nicarágua.
  • O último domingo de maio em República Dominicana, Haiti, Suécia, Colômbia (Cúcuta), França (ou primer domingo de junho se coincidisse com o Pentecostes).

MÃES INDÍGENAS DO ACRE

“Somos Hunikui”, diz com profundo orgulho a jovem mãe profissional dum povo indígena do Acre. | Foto Samme Ayanní Hunikui

“A flor mais linda e cheirosa da minha floresta encantada… Te amar e te proteger é minha missão! Que Epa Kuxipa nos abençõe minha Ayanní_Hunikui…”. | Foto Samme Ayanní Hunikui

Uma visita na cidade. Os meninos têm a liberdade de escolher sua roupa urbana. | Foto Levino Pequeno de Souza

Huni Kuin (da língua Pano que em português significa “os verdadeiros humanos”) é o nome que identifica ao espirito civilizatório dos povos isolados da Amazônia, | Foto Dani Huni Kuin Banu

Os Machineri moram perto aos Yaminawa na triple fronteira entre Bolivia, Peru e Brasil | Foto Alessandra Manchinery Maimará

Transitam pelos municípios de Taruacá, Feijó e Cruzeiro do Sul, incursionando na capital Rio Branco para se matricular na UFAC ou pra interpelar as autoridades estaduais e federais em defesa dos seus direitos. | Foto Mirna Rosario

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